Muitos km em conjunto

Luís Inácio
Randonneurs Portugal Nº201300061
Paris Brest Paris 2015

Desde 2013

Depois de ter iniciado esta aventura em 2013 na companhia do Paulo Gomes e do José Almeida, depois de muitos Km`s em conjunto com muitas peripécias pelo caminho, estávamos finalmente em Saint-Quentin-en-Yvelines para fazer o bike check, depois de 1800Km de viagem de carro com paragem em Bordeaux para dormir.
Por estranho que pareça não sentia qualquer nervoso ou ansiedade, embora tenha feito muitos Km`s nunca fiz uma distância tão grande, tendo feito apenas dois BRM de 600Km e só um concluído com sucesso.

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Sair para pedalar 1200km

Saída as 18h30m na companhia do Paulo Gomes, José Almeida e do Tiago Vieira, com um bom andamento chegamos a Mortagne-au-Perche onde perdemos demasiado tempo, dai para a frente com as paragens nas “Bancas” o tempo foi voando.

A viagem foi correndo sem incidentes, depois de Fougeeres o Tiago abandonou o quarteto, pois tinha a família a espera em Tinteniac e a vontade de chegar era grande. Continuamos os três ate que por fim chegamos a S` Nicolas-du-Pelem onde supostamente iríamos parar para dormir, o que não aconteceu, pois uma orquestra composta por muitas almas desejosas de descanso tocavam uma sinfonia que para os ouvidos mais sensíveis não permitia dormir, a única coisa boa foi um banho quente que deu para confortar o corpo e a alma.

Lá seguimos viagem para Brest com uma paragem em Carhaix para uma refeição quente para podermos enfrentar a subida do “Muro da Bretanha” que não foi fácil mas a descida para Brest as primeiras horas da madrugada com um fria de rachar também não foi nada agradável.

Brest

Chegados a Brest uma das três almas manifestou a intenção de ficar por lá, nunca saberemos se ficou encantada pela paisagem, se foi um problema entre o “Tico e o Teco” ou se o cérebro congelou com o frio da descida, o assunto foi resolvido, pois, não era opção, não estava nos nossos planos, e não me recordo de nenhuma aventura que tenhamos indiciado os três que não tenhamos chegado ao fim juntos. Depois de um pequeno-almoço revigorante e do descanso merecido lá iniciamos a viagem de regresso.

Marcas no físico

O passar dos Km começou a deixar marcas no físico, com uma dor no joelho que foi aumentando de intensidade, chegamos Quedillac eu e o Paulo Gomes esperamos por vaga para cama o José Almeida ficou de dormir na parte exterior. Após o merecido descanso nem sinal do Zé Almeida resolvemos continuar, o repouso não fez bem ao meu joelho a dor era muito intensa, cheguei a temer que a participação acaba-se por ali, o Paulo Gomes continuou sozinho, fui andando sem os companheiros do costume mas sempre com companhia, nas calmas lá cheguei a Tinteniac, onde encontrei o Paulo que já estava de partida, resolvi descansar e comer qualquer coisa quando para surpresa minha encontrei o Zé, não tinha conseguido dormir em Quedillac e pelos vistos tomou a opção certa pois parece que o “Hotel” em Tinteniac era 5*, tinha enviado mgs tanto para mim como para o Paulo mas sabem com é o romming.

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Louvor transatlântico

Agora rumo a Fougéres na companhia de um grupo de 3 Americanos a bom ritmo com o Zé a comandar as tropas como é hábito o que lhe mereceu um louvor transatlântico bem merecido, a dor do joelho já não era tão intensa, apesar de se manter, era suportável.

Em Fougéres reencontramos o Paulo, e dai em diante pedalamos juntos, em Mortagne-au-Perche, encontramos a Tiago e o Pedro que estavam de partida, aproveitamos para descansar e comer para recuperar energias para chegar a Dreux onde estava planeado dormir.

Quase em Paris

As subidas o frio e a chuva que começou a cair, dificultaram bastante esta etapa, os pés começaram a sentir o esforço, para piorar as coisas resolvi aplicar um spray frio que me queimou a planta dos pés, lá chegamos a Dreux, onde dormimos duas horas no chão de um pavilhão.

Partimos por volta das 6 da manhã em direção a S. Quentin-en-Yvelines, estes últimos 74 Km foram uma tormenta, com a chuva o frio e as dores no corpo, foi um verdadeiro calvário chegar ao fim.
Sabia que não seria fácil, mas apesar de tudo não posso dizer que não correu bem, não tivemos problemas mecânicos e o corpo dorido e normal depois de grandes distâncias.

Sozinho… em grupo…

Fazer esta aventura a 3 não foi fácil, os ritmos e os ciclos de sono são diferentes como muitas das vezes as vontades também, mas não deixa de ser por outro lado um apoio e uma motivação, penso que se a aventura fosse em solitário não sei se a teria concluído com sucesso.

A aventura foi concluída em 87h e 54 m das quais 58h e 29 m foram a pedalar e 29h e 25 m de pausa com muito pouco tempo aproveitado para realmente descansar ou dormir.

Lição aprendida

É necessário manter um ritmo constante e controlar os tempos de paragem, para comer e nos postos de controlo, para poder aproveitar ao máximo o tempo para realmente descansar e dormir.

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